Sucesso no exterior, os cursos de treinamento profissional pela internet começam a ganhar força no Brasil. De olho na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, companhias de consultoria investem pesado em cursos livres pela rede para atingir pequenas e médias empresas, cada vez mais preocupadas em qualificar seus funcionários para os grandes eventos que o Brasil vai receber entre 2013 e 2016.
Neste primeiro momento, a estratégia é treinar profissionais de restaurantes, hotéis e shoppings. A preocupação com o idioma inglês também é um alvo. As consultorias de treinamento oferecem opções cujos preços variam, em sua maioria, entre R$ 39 e R$ 178. Por isso, dizem especialistas do setor, pode haver uma democratização do ensino.
Os cursos funcionam como o primeiro olhar para quem procura qualificação. É o primeiro passo. Por ter custo menor, empresas que não investiam em treinamento passam a fazê-lo. Por isso, essas iniciativas são importantes — diz o especialista em Recursos Humanos Jorge Lourenço Soares.
Um exemplo é o Hypersaber, portal recém-lançado que já reúne 17 cursos livres para recepcionista, concierge, garçom, bartender, camareira e outros. O site foi concebido por Eva Monteiro de Carvalho, sobrinha do empresário Olavo Monteiro de Carvalho, e o também empresário Jayme Drummond. Após receber investimentos de R$ 2 milhões, o portal reúne aulas com 200 vídeos de especialistas do exterior falando sobre os mais diversos assuntos:
Quando fazíamos palestras presenciais, nem todas as empresas tinham acesso. Por isso, pensamos em fazer algo para a internet e desenvolvemos um software próprio. E buscamos referências internacionais. O objetivo é ser rápido e resolver o problema — explica Eva Monteiro de Carvalho.
O sócio Jayme Drummond ressalta que empresas como L’Oréal, Copacabana Palace, Frescatto e Village Mall já buscam cursos on-line feitos especialmente para seus funcionários.
Nos EUA, um dos portais mais conhecidos é o Kahn Academy, que tem versão em português pela Fundação Lemann e conta hoje com mais de dois mil cursos. O site, no início voltado para estudantes, tem hoje aulas de capacitação profissional. O também americano Coursera oferece disciplinas como economia e até medicina.
No Brasil, destaca-se o Portal Educação, com cursos entre R$ 90 e R$ 250, com duração entre 30 e 50 dias. Com cerca de 900 cursos, o site contou com 141 mil alunos só em 2011. O presidente da empresa, Ricardo Nantes, diz que tem verificado uma procura maior por parte de empresas de pequeno porte.
A Cultura Inglesa já oferece experiência pela internet. E algumas faculdades também investem em cursos voltados para profissionais que procuram conhecimentos básicos. Na Estácio de Sá, o aluno consegue, em 20 horas, ter noções de manipulação dos alimentos.
— Trabalho num restaurante português no Centro do Rio. Após ver opções na internet por um bom preço, conversei com o gerente, que concordou em pagar o curso. Já fiz dois — diz Aline Barbosa, garçonete de 27 anos.
Segundo a pedagoga Tereza dos Santos, da Universidade São Paulo (USP), os cursos pela internet exigem atenção redobrada do aluno:
— Como está na internet, o aluno pode perder o foco. É preciso sede em aprender; senão, não vale o esforço.
(Fonte: O Globo)
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